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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

PSP distingue ex-desordeiros numa escola da Damaia

Eram os mais velhos e mais temidos. Alguns gostavam de «dar porrada para aleijar». A escola da Damaia confiou neles e escolheu-os para monitores, deu-lhes coletes azuis e a missão de manter a ordem no recreio. Agora, a PSP distinguiu-os com diplomas de mérito. Salvador anda no 6º ano e já chumbou quatro vezes. Com 15 anos, é mais alto do que a maioria dos alunos e facilmente sobressai no pátio da escola. É aí que diariamente faz a «ronda»,«controla os intervalos», como gosta de dizer, juntamente com outros sete miúdos.«Se vir que vai haver guerra, vou lá separar e acaba logo a luta. Os outros respeitam-me», explica, orgulhoso.Sem rodeios, admite que «dantes era violento», «gostava de provocar, de chamar nomes e dava porrada com força para os outros sentirem a dor».
Hoje, garante estar «muito mais atinado». Sabe que o colete que enverga todos os dias é sinónimo de responsabilidade e, por isso, veste-o com vaidade, empenhando-se em «não arranjar problemas».O caso de Salvador deixa visivelmente entusiasmado o professor António Gâmboa, presidente do conselho executivo da escola básica do 2º e 3º ciclos Pedro d'Orey da Cunha, que há cerca de três meses criou e lançou este projecto.
«Era um dos alunos mais problemáticos. Tinha um percurso muito complicado, com sucessivas repetências e muitos processos disciplinares. O Salvador ainda não tem um comportamento totalmente exemplar, mas está a fazer um esforço enorme», conta o docente, confiante na «viragem» do miúdo.
Cada um dos oito alunos que integram o staff da escola com a função de «mediadores de conflitos» foi escolhido por uma razão específica. Uns tinham comportamentos desviantes, de grande violência e indisciplina, outros não conseguiam integrar-se. Todos se sentem agora «reconhecidos e respeitados».
Fonte: Sol

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)