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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Seminário Ensino Bilingue e Línguas Maternas na Fundação Calouste Gulbenkian

Realizou-se, no Dia internacional da Língua Materna, 21 de Fevereiro, o seminário de ensino bilingue e línguas maternas.


Este evento, que contou com a presença de James Crawford, presidente do Institute for Language and Education Policy, visou apresentar o projecto-piloto de turmas bilingues, desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC).

Referindo-se à importância do ensino bilingue nas escolas, a coordenadora do projecto, Maria Helena Mira Mateus, explicou que “as crianças que dominam mais do que uma língua estão mais preparadas para reconhecer a importância de conhecer mais do que uma língua e de conhecer outras formas de vida e de cultura”.

O facto de 2008 ter sido declarado Ano Internacional das Línguas pela Assembleia Geral das Nações Unidas, suscitou a leitura da mensagem do Director Geral da Unesco, Koichiro Matsuura que, como factores de integração social, atribui um lugar estratégico às línguas “na eliminação da extrema pobreza e da fome; como suportes na alfabetização; na aquisição de conhecimentos e de competências para tornar real o ensino primário universal; no combate ao HIV e à Sida, à malária e a outras doenças, pois para chegar às populações atingidas deve ser feito nas suas próprias línguas; na protecção dos conhecimentos e habilidades locais e autóctones, ligando-se ao objectivo de assegurar uma gestão sustentável do ambiente”.

Na sua intervenção, James Crawford suportou-se na sua experiência nos Estados Unidos. “Uma das constatações é que os modelos bilingues são consistentemente mais efectivos do que outros modelos ‘all-english’ no ensino do Inglês às minorias”. No entanto, “tal não é conseguido em menos de 4 ou 6 anos, sem o respeito pelas duas línguas, sem formação adequada dos professores e sem o envolvimento dos pais”.

Referindo-se aos benefícios de ser bilingue, o também autor do livro “English Learners in American Classrooms: 101 Questions, 101 Answers” salientou as vantagens cognitivas, como a melhor memória para o trabalho; as melhores oportunidades de carreira, visto existir cada vez mais a necessidade de capacidades bilingues; uma melhor adaptação e ajuste social, ao contribuir para uma melhor construção de identidade; e a melhoria das relações familiares, ao minimizar os conflitos.

No final, Maria Helena Mateus, relacionando a aprendizagem bilingue com os ganhos em termos culturais, já que 2008 é também o Ano Europeu do Diálogo Intercultural, esclareceu que “o que pretendemos é que a parte oral e muitos aspectos culturais possam ser transmitidos, na própria língua, sobre a sociedade que utiliza essa língua”, acrescentando que “a aprendizagem pretende dar um conhecimento mais profundo de uma outra identidade cultural, numa base de tolerância e de compreensão do outro”.

Fonte: Acime

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)