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quarta-feira, 5 de março de 2008

Açores: Governo investe mais 2 ME na informatização das escolas

O desenvolvimento do projecto "Escolas Digitais" permitiu a aquisição de 2.360 computadores disponibilizados a cerca de 27 mil alunos de estabelecimentos de ensino com 2º e 3º Ciclos e Ensino Secundário.
O projecto, cuja execução se tem revelado um êxito, permitiu, também, a entrega de outros 1.472 computadores de secretária a escolas do 1º. Ciclo, indicou o director regional da Ciência e Tecnologia.
Segundo João Luís Gaspar, o projecto "Escolas Digitais" tem a sua continuidade garantida no âmbito do novo programa operacional dos Açores Proconvergência, que vigora no período de 2007-2013, sendo objectivo do Governo atingir o rácio médio de cinco alunos por computador antes da meta definida para o efeito pela União Europeia, o ano 2010.
Em 2008, o executivo de Carlos César vai continuar a reforçar o parque informático das escolas da Região através de um investimento global da ordem dos dois milhões de euros e garantirá programas de formação específicos para professores na área das tecnologias de informação e comunicação.
O projecto "Escolas Digitais" arrancou no início do ano 2006 com o objectivo de melhorar as acessibilidades e a utilização generalizada das tecnologias de informação e da comunicação em todas as escolas dos Açores, promovendo, deste modo, a sociedade da informação e do conhecimento e facilitando o acesso à Internet em ambiente educativo, em alguns casos, através de rede wireless.
Dirigido em parceria pela Direcção Regional de Ciência e Tecnologia (DRCT) e pela Direcção Regional da Educação (DRE) e executado com a colaboração de todas as escolas, sob a coordenação da Escola Secundária Antero de Quental, o projecto abrangeu, numa primeira fase, os 2º e 3 º ciclos e o Ensino Secundário de todas as escolas da Região, à excepção da Escola Básica Integrada Mouzinho da Silveira, na ilha do Corvo.
Esta última já havia sido dotada de todas as infra-estruturas informáticas necessárias através do projecto "Corvo Digital".
No total, a aquisição de 2.360 computadores portáteis e de secretária destinados aos 2º e 3º ciclos e o Ensino Secundário, permitiu que o rácio médio inicial de 24,6 alunos por computador nestes níveis de ensino descesse para 7,9 alunos por computador.
Numa segunda fase, o projecto foi especificamente orientado para o 1º Ciclo.
Em 2007, e até Fevereiro de 2008, foram adquiridos 1.472 computadores de secretária, distribuídos por 27 unidades orgânicas, e destinados a Escolas Básicas 1/Jardim-de-Infância. Esta primeira intervenção ao nível do 1º Ciclo do Ensino Básico contemplou um universo de 9.856 alunos, 70% da totalidade das crianças deste nível de ensino, resultando num rácio de 6,7 alunos por computador.
Fonte: Diário dos Açores

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)