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quarta-feira, 12 de março de 2008

Bem pagos, piores resultados

Paulo Gonçalves Marcos
Avaliar os professores, à semelhança do que acontece com qualquer outro trabalhador do sector privado, é um acto de elementar justiça.
Uma grande manifestação no pretérito Sábado em Lisboa. Professores, e não só, do secundário e de alguns outros graus de ensino. De um país “sui generis”, que lhes paga mais em termos relativos que os seus congéneres dos outros países da União Europeia. Mas que os resultados que o fruto do seu trabalho demonstra, aquilo que aprenderam os alunos e as capacidades de raciocínio e trabalho que estes desenvolveram, nos coloca na cauda da tabela. Portanto, os trabalhadores mais bem pagos para os piores resultados. Situação insustentável, que em qualquer outra entidade, sujeita a concorrência, a teria levado à bancarrota. Vital introduzir racionalidade e gestão em todo o sistema estatal de ensino. Avaliar os professores, à semelhança do que acontece com qualquer outro trabalhador do sector privado, um acto de elementar justiça. Não chega, contudo. Um estudo acabado de sair nos Estados Unidos, publicado pela “Education Next”, uma revista dedicada a políticas de educação, apresenta resultados que nos fazem pensar. O estudo observa que o aumento do número de anos de escolaridade da população aumenta o ritmo de crescimento económico, mas somente se as capacidades cognitivas dos estudantes, medidas pelas competências a matemática e a ciências, tiverem sido aumentadas. Ou seja, o mero aumento dos números de anos de escolaridade não é suficiente. É necessário que se traduzam numa melhoria efectiva das competências e do raciocínio associados à matemática e às ciências. Mais ainda, o estudo da Education Next elabora e prevê que se os alunos do secundário norte americano tivessem competências (vide estudos PISA), nessas duas áreas, ao nível dos alunos dos países com melhores resultados, a Coreia do Sul, Finlândia e Hong Kong, o produto nacional bruto dos Estados Unidos seria quase um ponto percentual superior! Se pensarmos que em cenário de abrandamento económico, como se tem verificado em Portugal, o aumento de um ponto percentual do produto pode demorar cerca de um ano a atingir…Ora Portugal, nos mesmos estudos comparativos internacionais, surge na cauda da OCDE (enquanto os EUA estão quase a meio da tabela). Razão para podermos pensar que o impacto deverá ser mais profundo ainda na nossa Economia…Dito de outra forma, a incapacidade de produzirmos alunos do secundário com competências de nível mundial em matemática e ciências, obriga-nos a todos a trabalhar muito mais, pelo menos um ano mais nas nossas vidas…Por isso devemos defender que os resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais e nas comparações internacionais contem, de forma bastante acentuada, para as avaliações dos professores (e não apenas com uma ponderação ridícula de 6.5%). O nosso bem-estar depende disso!
Fonte: Diario Económico

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)