Do "senhor professor", com que os alunos respeitosamente tratavam quem os ensinava, ao informal stor que hoje impera no léxico escolar, passaram algumas décadas de democratização do ensino, com a carreira docente a crescer como nunca antes no País, mas em que, sobretudo no passado recente, o seu prestígio social e os seus privilégios como classe foram sendo postos à prova.
Desde o 25 de Abril de 1974 até 1995/96, as escolas portuguesas ganharam centenas de milhares de alunos e dezenas de milhares de docentes. Um crescimento ditado sobretudo pela expansão do ensino secundário, até então reservado a uma elite de estudantes. Desde meados da década de 90, porém, o ciclo de crescimento dos alunos inverteu-se, devido à quebra demográfica, mas os professores da rede pública continuariam a aumentar ao longo de mais uma década, até ultrapassarem os 154 mil.
Foi esta realidade que a actual ministra encontrou quando chegou à 5 de Outubro. Um Ministério que se tinha tornado o maior empregador individual do País e cuja factura salarial levava anualmente 93% do seu orçamento de seis mil milhões de euros.
Desde então, Maria de Lurdes Rodrigues assumiu o esforço de "racionalização" da despesa e, sobretudo graças aos cortes nos contratos a termo e nos novos recrutamentos, já reduziu quase 20 mil docentes ao efectivo.Mas não se limitou a esse item. Os professores passaram a estar mais tempo nas escolas - nem sempre com razão, como parecem indicar algumas sentenças de tribunal relativas às aulas de substituição -, viram limitadas as suas dispensas de componente lectiva, nomeadamente para exercício de funções sindicais e - aspecto que motivou grande parte das convulsões - começaram a ser diferenciados.
O novo estatuto da carreira docente (ECD), aprovado há um ano pela tutela, criou uma elite na profissão - os titulares -, aos quais estão reservados os salários mais elevados e os cargos dirigentes nas escolas. A forma como se escolheram eventualmente os primeiros 32 600 representantes deste grupo, num concurso em que candidatos menos pontuados acabaram por ultrapassar colegas só por estarem em escolas onde a concorrência não era tão grande, foi criticada pela Provedoria de Justiça, e não ajudou a explicar os méritos do modelo.
Mas a 'gota de água' foi o condicionamento da progressão na carreira à avaliação do desempenho. Não pelo sistema em si, defenderam os sindicatos, mas pelo facto de se criarem quotas para as melhores classificações e de se incluir nos seus parâmetros "injustiças" como a penalização de faltas justificadas, mesmo para assistência à família.
"Sobressaltos do crescimento"
Para Ana Paula Curado, da Universidade de Lisboa, uma especialista em avaliação de professores, é injusto que não se registem os "progressos" obtidos pelos professores nas escolas - não só na massificação do sector como na melhoria dos resultados, que já começou, embora de forma tímida, antes de actual equipa ministerial assumir funções. Mas é também evidente que alguma coisa tem de mudar.
"Tradicionalmente, tinhamos uma maneira de olhar para a escola mais centrada nos processos do que nos resultados", diz. "Mas tudo isso mudou a partir do momento em que Portugal começou a sujeitar-se às comparações dos relatórios internacionais. Poderia manter--se o estado de coisas se tivessemos resultados positivos na comparação, mas não é o caso".
Supor que os nossos professores são de alguma forma inferiores aos dos outros países é também uma injustiça do ponto de vista desta especialista. Até porque os docentes portugueses -aliás, as docentes, já que 78,3% do efectivo do Ministério da Educação é hoje composto por mulheres- têm qualificações acima da média, com mais de 75% a deter pelo menos uma licenciatura ou grau equiparado. "Ao nível das habilitações, Portugal está entre os melhores", afirma.
Mas a nova avaliação é "essencial" porque o que existia antes, pura e simplesmente, "não funcionava". Ana Paula Curado reconhece que países muito bem-sucedidos na educação, como a Finlândia, baseiam o reconhecimento do mérito "na auto-avaliação e na "reflexão nas escolas". Mas em Portugal, o resultado de um modelo semelhante foi "um sistema de águas mornas, em que todos tinham satisfaz", porque "os professores não reconhecem uns aos outros a capacidade de avaliar". O novo modelo mantém a "avaliação pelos pares", mas conta com itens, como a assiduidade, o envolvimento nas actividades escolares e o desempenho dos alunos, que não são possíveis de nivelar por igual.
A boa notícia, segundo a especialista, é que como a nossa classse docente é comparativamente nova -a maioria tem entre 25 e 49 anos -, e vai lidar com a mudança: "Sou uma optimista", diz. "Acho que aquilo a que estamos a assistir são sobressaltos do crescimento".
Fonte: DN
segunda-feira, 10 de março de 2008
Da escola do senhor professor até à da stora
Etiquetas: Professores
Para subscrever o Noticiasdescola
Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
Site em destaque - e-escolinha
Arquivo de notícias
- Acesso Ensino Superior 2008 (7)
- Agenda (1)
- Alunos (185)
- Ano lectivo 2007/2008: o que há de novo (6)
- Artes e educação (13)
- Artigos de opinião (26)
- Avaliação dos Professores (106)
- Ciências (19)
- Colocação de Professores (11)
- É destaque lá por fora (212)
- e-educação (93)
- Educação básica (70)
- Educação e ambiente (13)
- Educação especial (47)
- Ensino Profissional (26)
- Ensino Secundário (57)
- Escola e sociedade (68)
- Escola em destaque (29)
- Escolas (231)
- Estatuto do aluno (21)
- Exames e Provas de Aferição 2008/2009 (1)
- Exames Nacionais 2008 - Resultados (1)
- Exames Nacionais 2008 - Resultados (4)
- Exames nacionais 3.º ciclo 2008 (18)
- Exames nacionais secundário 2008 (28)
- Gestão escolar (59)
- Insucesso escolar (8)
- Língua Portuguesa (31)
- Manuais escolares (26)
- Matemática (28)
- Novidades ano lectivo 2008/2009 (31)
- Pais (159)
- Pré-escolar (25)
- Professores (372)
- Provas de aferição 2008 (11)
- Resultados exames nacionais 2007 (14)
- Saúde na escola (48)
- Violência escolar (94)