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segunda-feira, 10 de março de 2008

A educação a distância (EAD) cresce no Brasil

A educação a distância (EAD) cresce no Brasil. Isso não surpreende, pois os avanços tecnológicos que abriram espaço para essa alternativa encontraram no nosso país condições muito propícias para o desenvolvimento da EAD. Soube de instituições que já têm algumas dezenas de milhares de alunos em cursos desse tipo.

Mas, como outras formas de educação, seu sucesso como tal só será assegurado se tanto do lado da oferta como da demanda a EAD for dotada de características que evitem sua degeneração em fábricas de diplomas.

Pode até haver interessados em obter canudos produzidos dessa forma, mas quem realmente quiser aprender via EAD também precisa ter um comportamento adequado à natureza desse ensino.

Vamos mostrar por que o Brasil é um campo propício para a EAD e quais características de seus provedores, estudantes e patrocinadores são indispensáveis para que esse sistema tenha sucesso no seu objetivo educacional. E, assim, não degenere em ADE, ou seja, à distância da educação.

BRASIL PRECISA

Com sua enorme extensão territorial, quase 200 milhões de habitantes, baixa densidade demográfica em várias regiões, e enormes carências educacionais, o Brasil tem um potencial muito grande para o desenvolvimento da EAD.

Nessas carências se incluem algumas típicas do País, como o baixo nível de escolaridade, além de outras comuns também em países mais avançados, como as necessidades de educação continuada, de cursos de especialização de nível superior ou não, e de programas de treinamento para funções específicas.

Assim, não é surpresa que a EAD esteja se expandido no Brasil, facilitada pelo uso da Internet. Lembro-me de cursos e outros eventos de EAD que exigiam a presença de professores e alunos em salas específicas de empresas como a Embratel, interligadas por sinais transmitidos por satélites e antenas parabólicas.

Creio que esses ambientes ainda existem, mas se a EAD continuasse dependendo só deles não iria muito longe.

Confesso que já fui meio cético quanto à eficácia da EAD, em particular pela dificuldade de cobrar desempenho do aluno, pois como economista observo muito as relações entre benefícios e custos, e entre investimentos e resultados. E tenho também a experiência de professor, pois olho no olho já peguei vários coladores. Imagine-se o que pode ocorrer à distância, inclusive com participação de terceiros. Um risco adicional é a proliferação de cursos fracos no seu conteúdo e frouxos na aferição de resultados.

Contudo, acompanhei o caso de uma pessoa do Brasil que se matriculou num curso 'on-line' de especialização na Universidade de Barcelona, oferecido internacionalmente. Vi que as lições recebidas para estudo eram de alto nível, e a cada uma havia a cobrança de aprendizado, por meio de perguntas enviadas para respostas pelo estudante, ou com este preparando um ensaio sobre os temas cobertos pelas lições.

Depois, vinham comentários e correções por parte dos professores. Além disso, perto do seu final o curso exigiu presença do aluno na própria universidade por duas semanas, com novos ensinamentos e cobranças, mais um trabalho de conclusão de curso ao final desse período. Entre outras finalidades, essa presença obviamente tinha o propósito de confirmar se a pessoa que tomava o curso na ponta da linha e cumpria suas tarefas era a mesma que se apresentou nessa fase presencial e mostrou desempenho equivalente.

EAD E NÃO ADE

Como dissemos, programas de EAD podem ficar à distância da educação. Instituições que os oferecem podem lucrar com um mercado que nem sempre valoriza a qualidade, mas apenas o diploma. Assim, a ética precisa estar nos dois lados da linha, pois mesmo a fase presencial pode virar uma fraude num e/ou noutro lado. Patrocinadores de cursos, como os de treinamento para seus empregados, precisam ficar atentos para não tomar gato por lebre, enganado pelo prestador de serviço e/ou pelos que receberam um 'treinamento' que não passou de um passeio 'on-line'.
Fonte: O Estado de São Paulo

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)