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terça-feira, 4 de março de 2008

Educação Especial: Valter Lemos apresenta a Declaração de Lisboa a dirigentes europeus

Discurso do secretário de Estado:


Em primeiro lugar, quero salientar a importância da Audição Parlamentar de Jovens com necessidades educativas especiais, organizada no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia, em parceria com a Agência Europeia para o Desenvolvimento em Necessidades Educativas Especiais e a cooperação empenhada da Comissão Europeia e dos 29 Estados participantes.

Portugal sente-se honrado por ter acolhido uma iniciativa de tanto significado para cada um de nós enquanto cidadãos de uma Europa diversa e alargada.

O Ministério da Educação de Portugal ficou verdadeiramente impressionado com o envolvimento, a capacidade de trabalho e as mensagens claras dos 78 jovens delegados dos 29 países, dos ensinos secundário, profissional e superior, designados para participar na Audição, na Assembleia da República, em Lisboa.

A Audição constituiu uma oportunidade única para os próprios jovens discutirem a educação e apresentarem o que vêem como benefícios da educação inclusiva.

Acrescentou, assim, mais valor à declaração de Salamanca.

A Audição culminou com a Declaração de Lisboa – Pontos de Vista dos Jovens sobre a Educação Inclusiva.

Expressaram os seus sentimentos, ideias, anseios, propostas e expectativas os jovens com necessidades educativas especiais de 29 países.

Cabe-nos agora, a nós decisores, mostrar que sabemos ouvir e ajustar as decisões que tomamos com impacto directo nas vidas dos jovens com necessidades educativas especiais.

A partir do trabalho que foi desenvolvido pelos jovens no Parlamento português percebemos muito claramente que a Europa é um território muito diverso e, por isso, muito rico.

A diversidade das necessidades educativas especiais é, neste contexto, uma boa metáfora das diferenças com as quais temos que saber lidar e com as quais teremos de aprender a desenvolver o nosso trabalho a favor da igualdade e da equidade.

Desde o início dos anos 90 a educação inclusiva é um dos denominadores comuns do pensamento que partilhamos sobre o ensino e a aprendizagem e muito se avançou desde então.

A Declaração de Salamanca estabeleceu o compromisso assumido por todos nós no sentido de assegurar que o futuro da inclusão das pessoas e dos jovens com necessidades educativas especiais passará essencialmente por escolas regulares.

A realidade mostra-nos que esse é o caminho certo.

Mas porque as necessidades e os valores das sociedades modernas são cada vez mais exigentes, há que continuadamente avaliar e promover mudanças que permitam adequar as políticas às novas realidades.

Reconhecemos hoje aquilo que os jovens nos lembraram com clareza.

Para tornar a escola inclusiva numa realidade de todos os dias, precisaremos efectivamente de ter escolas e edifícios acessíveis, professores e técnicos preparados e disponíveis e também materiais e recursos adaptados à diversidade de cada jovem ou criança.

A escola para todos é uma escola adaptada às necessidades de cada um.

A resposta a essas necessidades passa pela promoção da autonomia, do desenvolvimento pessoal e por uma atitude de exigência e de empenhamento quer da parte das instituições escolares, quer da parte dos alunos.

São aliás os próprios jovens que pedem respostas centradas nos direitos e não a mera assistência caritativa.

Todos os países europeus têm a sua diversidade territorial, económica e consequentemente educativa, mais ou menos definida e devedora dos quadros históricos do seu desenvolvimento.

No seio das políticas para as crianças e jovens com necessidades especiais, esta é uma realidade que devemos ter em conta, sobretudo na forma como planeamos a sustentabilidade das políticas.

Um aspecto desta sustentabilidade que os jovens sublinharam, e que eu subscrevo inteiramente, é a de que as políticas de educação e formação não podem constituir termo do caminho.

Na Audição Parlamentar os jovens delegados sublinharam que ao entrarem na idade activa precisam, e têm direito, como toda a gente, a um emprego.

A nossa missão será a de concertar todos os instrumentos e todos os recursos disponíveis para activar o mercado de trabalho e torná-lo acessível.

Por outro lado, será também a de assumir que a educação e a formação profissional são serviços de proximidade, orientados simultaneamente para o desenvolvimento de competências universais e para o acesso às oportunidades de emprego de âmbito local.

Temos, pois, a dupla obrigação de preparar os nossos jovens para participar num mundo que requer mobilidade e simultaneamente activar as redes locais de emprego acessível.

Se queremos mudanças eficazes e visíveis na participação e na inclusão das crianças e jovens com necessidades educativas especiais, temos de promover um compromisso firme entre todos os agentes relevantes.

É esta a minha perspectiva.

O grande desafio que nos é colocado, uma vez que temos instrumentos internacionais que norteiam a nossa intervenção, é a nossa efectiva vontade de promover a mudança.

E foi com base nesse pressuposto, com base nessa vontade, que Portugal integrou o primeiro grupo de países que assinou a Convenção das Nações Unidas para os Direitos das Pessoas com Deficiência.

É também com base nesse pressuposto que o Governo português está, neste momento, a desenvolver os trabalhos com vista ao processo de ratificação dessa mesma Convenção.

Estamos, pois, tal como todos os outros Estados-membros, comprometidos e empenhados.

Vemos aquilo que os jovens europeus nos disseram no Parlamento português como o seu contributo particularmente relevante para que seja bem sucedida a transição das palavras para os actos.

Estou certo de que todos partilhamos esta ideia e que, por isso, a Declaração de Lisboa – Pontos de Vista dos Jovens sobre a Educação Inclusiva será adoptada como referência oficial a nível europeu.

Para terminar quero agradecer a todos os jovens que partilharam connosco as suas experiências, acrescentando preciosos contributos para a nossa decisão.

Escutámos as suas vozes com muita atenção.

A Ministra da Educação de Portugal enviou a Declaração de Lisboa aos seus colegas de todos os países da União Europeia, da Noruega, Islândia e Suíça.

Temos a responsabilidade de executar o que os jovens propuseram.

Esperamos que as recomendações aprovadas na Declaração de Lisboa se tornem o quadro de referência na prossecução de uma verdadeira escola inclusiva.

Informação sobre Educação Especial em Portugal

Fonte: Portal da Educação

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)