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sexta-feira, 14 de março de 2008

Educação sexual tarda a arrancar

O psiquiatra Daniel Sampaio lamenta a demora na aplicação de programas de educação sexual nas escolas, depois de o grupo de trabalho que coordenou ter apresentado um projecto ao Governo há seis meses.

«Precisamos cada vez mais de uma educação sexual em Portugal. Temos propostas que, infelizmente, ainda não foram postas em prática nas escolas. Não posso deixar de lamentar», declarou Daniel Sampaio durante uma sessão em Lisboa sobre gravidez na adolescência.

O coordenador do Grupo de Trabalho para a Educação Sexual nas Escolas recordou que foi entregue ao Ministério da Educação em Setembro do ano passado um relatório onde se definia um programa com os conteúdos mínimos e obrigatórios a abordar em cada ano de escolaridade.

Segundo a proposta, as escolas devem dedicar à sexualidade pelo menos uma aula por mês.

«Tem tardado a concretização no terreno das medidas propostas», lamentou Daniel Sampaio, apesar de reconhecer que há muitas escolas que «fazem um excelente trabalho» em matéria de educação sexual.

Segundo o programa proposto pelo Grupo de Trabalho, as sessões de educação sexual no 2º e 3º ciclos e no secundário devem abranger matérias como a fisiologia geral da reprodução humana, o ciclo menstrual e ovulatório, o uso de métodos contraceptivos e a prevalência e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, assim como as taxas e tendências da maternidade e aborto na adolescência.

No relatório final entregue em Setembro ao Ministério da Educação, o Grupo de Trabalho ressalva, no entanto, que «em nenhum caso o programa deverá basear-se apenas numa vertente médico-sanitária, pois é essencial que a escola ajude os seus alunos a desenvolverem um conjunto de qualidades que lhes permitam encontrar uma conduta sexual que contribua para a sua realização como pessoas».

Aliás, hoje, Daniel Sampaio destacou a importância de, a par com a educação sexual, fazer uma abordagem da problemática da saúde mental, da educação alimentar e do consumo de álcool e drogas.
Fonte: Portugal Diário

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)