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segunda-feira, 10 de março de 2008

Escola boa é desafio para o Estado

Há oito meses à frente da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a campineira e ex-professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Maria Helena Guimarães de Castro está diante de um grande desafio: promover a qualidade no ensino público, depois que o Estado conseguiu levar para os bancos escolares quase 100% das crianças e adolescentes.

Dez anos depois de São Paulo implantar o sistema de progressão continuada, segundo o qual há reprovações apenas na 4 e 8 séries, pais e professores reclamam das deficiências, que incluem, por exemplo, alunos que chegam à 4 série sem saber ler ou escrever. Responsável por 5.537 escolas, 250 mil professores e 5 milhões de alunos, Maria Helena afirma que essa baixa qualidade nada tem a ver com a progressão continuada. “O problema é a fragmentação pedagógica nas escolas e a ausência de mecanismos de recuperação permanentes, do início ao final do ano, como acontece em qualquer boa escola particular”, justifica. Como solução, a secretária aponta o lançamento, em 2 de abril, de uma proposta curricular comum para todo o Estado. Hoje, cada escola tem autonomia para criar seus planos de aula. Além disso, a promessa é equipar as salas de professores com kits multimídia, para que haja uma capacitação dos educadores na própria escola.

Entretanto, os entraves não são apenas questões de aprendizagem. O Estado de São Paulo tem, hoje, segundo a própria Secretaria, 30 mil professores ausentes todos os dias e uma pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) aponta que 82,2% dos docentes conhecem casos de agressão a educadores. Contrapondo a pesquisa com dados oficiais e sem considerar a possibilidade de casos subnotificados, Maria Helena diz que a violência nos colégios cai a cada ano e já existe o projeto de instalar câmeras de segurança em todas as unidades. Leia os principais trechos da entrevista que a secretária concedeu à Agência Anhangüera de Notícias (AAN):

Agência Anhangüera - A Progressão Continuada completa dez anos de implantação em São Paulo e o que se vê nas escolas são professores desestimulados, alunos que passam de série sem conhecimento e até que chegam ao final da 4ª série do Ensino Fundamental sem saber ler ou então entender o que lêem. O que não deu certo no sistema? Há algo a comemorar nesses dez anos?

Maria Helena Guimarães de Castro - Este não é o cenário geral das escolas. É verdade que nosso grande desafio é a melhoria da qualidade, mas temos trabalhado muito para melhorar. Nos últimos anos, o Estado assegurou vagas para todos no Ensino Fundamental e Médio, o que nos coloca com as melhores taxas de escolarização do País. A progressão continuada não é o problema. O problema é a fragmentação pedagógica nas escolas e a ausência de mecanismos de recuperação permanentes, do início ao final do ano, como acontece em qualquer boa escola particular. A progressão continuada é utilizada nos países mais evoluídos em educação, como a Noruega, o Japão, a Suécia e Cingapura. Há, sim, muito a comemorar. Nos últimos anos, com a progressão continuada, o acesso à escola em São Paulo se universalizou. Nada menos do que 98,6% da população de 7 a 14 anos estão na escola, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na faixa etária entre 15 e 17 anos, há 86,4% de estudantes em São Paulo, o maior índice do Brasil. Além disso, 69% deles freqüentam todos os anos do Ensino Médio, contra uma média nacional de 47%.

Mas o que o Estado tem feito para melhorar a realidade da Educação? O que muda na rede pública em 2008?

Já no primeiro dia de aula, os alunos de 5 a 8 séries do Ensino Fundamental e do Ensino Médio começaram recuperação dos conteúdos de língua portuguesa e matemática. Com esses conhecimentos aprimorados, os estudantes ganham estruturas de compreensão e intelecção de textos e operações mentais lógico-matemáticas para ordenar e classificar, calcular e relacionar fatos e fenômenos das demais ciências. As habilidades permitem que haja prosseguimento no aprendizado de todas as disciplinas. Logo após a recuperação intensiva, estamos implantando, a partir de 2 de abril, a nova Proposta Curricular de 5 a 8 séries e para o Ensino Médio. Os professores terão uma base curricular comum e um guia por meio dos Cadernos do Professor com indicações e sugestões de trabalho. Para cada aula, haverá uma indicação do que os alunos devem aprender. Esta Proposta Curricular contou com a participação de toda a rede, com o envio de 3 mil idéias, analisadas e, em muitos casos, incorporadas ao documento. Esta ação é fundamental, pois o professor de escola pública, de modo geral, continua a enfrentar seus desafios cotidianos sem uma referência mínima na qual se mirar. Poucos estados brasileiros dispõem deste material para oferecer às escolas, no qual estejam incluídos os assuntos a serem abordados em cada disciplina. A experiência mostra que professores com um apoio didático dessa natureza vão mais longe. Investir na organização estruturada de um currículo, como fizeram alguns países bem-sucedidos na Educação, é fundamental para expandir a forma de ensinar, sem interferir na autonomia do projeto pedagógico da escola. Ainda lançaremos a remuneração por desempenho, ou seja, por mérito. Trata-se de uma proposta para valorizar o esforço do conjunto da equipe escolar. Não se trata de avaliar individualmente os professores e, tampouco, comparar o desempenho das escolas, o que aprofundaria as desigualdades. A idéia é comparar a escola em relação a ela mesma, considerando sua evolução no tempo em relação ao seu ponto de partida. Faremos uma avaliação de todas as escolas individualmente. Cada uma delas receberá metas. No próximo ano, na mesma época, faremos nova avaliação, comparável à deste ano. As escolas que apresentarem melhor evolução receberão uma remuneração adicional de até 16 salários por ano, beneficiando o conjunto dos seus funcionários: diretor, supervisor, professores, pessoal administrativo.
Fonte: Cosmo.com

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)