A presidente do Agrupamento de Escolas Correia Mateus, em Leiria, anunciou hoje que retirou a ficha polémica de avaliação de professores do estabelecimento, alvo de críticas pelo Bloco de Esquerda. Esperança Barcelos explicou que decidiu eliminá-la na segunda-feira à noite, pelo que o documento não será discutido no próximo conselho pedagógico da escola, agendado para 12 de Março. "Não vou levar essa ficha mas outra", garantiu a docente.
A ficha em causa possuía um item em que os professores eram avaliados pela forma como verbalizavam a sua satisfação ou insatisfação em relação ao modelo de ensino, uma situação que foi denunciada por Francisco Louçã, no debate com José Sócrates, no Parlamento.
Após a polémica gerada, Esperança Barcelos decidiu retirar a ficha polémica para evitar "mais questões", pelo que a reunião do conselho pedagógico irá apreciar um outro documento em que não consta esse item. A ficha inicial "foi elaborada apenas por mim", porque essa grelha de avaliação visa "avaliar todos os professores", inclusive os restantes do conselho executivo, explicou Esperança Barcelos. "A mim ninguém me ensina democracia", acrescentou.
Na reunião do conselho pedagógico, além desta grelha de avaliação, os professores vão também aprovar as fichas dos coordenadores para observação das aulas, no âmbito do modelo imposto pela tutela.
Fonte: Público
sexta-feira, 7 de março de 2008
Leiria: Escola retira ficha que avaliava professores a partir da opinião sobre modelo de ensino
Etiquetas: Professores
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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