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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Associações de estudantes do Básico e Secundário promovem Semana pela Democracia

A Delegação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário anunciou hoje a realização, entre os dias 21 e 24, da "Semana pela Democracia", para exigir uma maior participação dos estudantes na vida da escola. "Aproveitando-se de casos de violência que tomaram proporções mediáticas, o Governo quer fazer crer que nas escolas se vive um 'clima de guerra' que todos os estudantes são criminosos em potência, para assim justificar a aplicação de medidas como o Estatuto do Aluno ou o Diploma de Autonomia e Gestão das Escolas", refere aquela entidade em comunicado.

As associações de estudantes consideram que "estes diplomas não são mais do que uma tentativa de acabar com o que resta da Democracia nas escolas, no que se refere a uma gestão participada, também pelos alunos". "Com a entrada em vigor destas duas leis, fica mais fácil excluir estudantes do sistema de ensino. O poder disciplinar, assim como o logístico e o financeiro ficam a cargo de uma só pessoa que deixa de ser eleita. Aos estudantes cabe apenas o papel de estar na escola", acrescenta.

Defendem que "os alunos têm de participar em todos os aspectos da vida escolar, nomeadamente serem ouvidos em matéria de política educativa" e denunciam que "são cada vez mais os casos de associações de estudantes a quem não é permitida a realização de reuniões gerais de alunos".

Na "Semana pela Democracia nas Escolas", que decorre em todo o país, os estudantes vão exigir "uma maior participação na vida escolar, o fim dos atropelos aos direitos das associações de estudantes e o fim do Estatuto do Aluno e do Diploma de Autonomia das Escolas".
Fonte: Público

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)