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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Bispo de Vila Real defende harmonização da Escola com os outros parceiros educativos

D. Joaquim Gonçalves, Bispo de Vila Real, considera essencial a “harmonização da Escola com os outros parceiros educativos”, sublinhando que as falhas neste campo estão “na base de muitas queixas e críticas e de muita desorientação”.

“A missão de educar incumbe às famílias, às igrejas e ao Estado a títulos distintos. É preciso recordar sempre que o dever e o direito de educar os filhos pertence originariamente à família, direito e dever que ela nunca pode alienar nas outras instâncias”, refere o prelado, na crónica que semanalmente assina no jornal A Voz de Trás-os-Montes.


Segundo este responsável, “educar não se confunde com instruir, ainda que a educação inclua sempre alguma instrução”.


“A educação integral inclui sempre valores religiosos. A educação empenha a pessoa toda do educando, a ciência e a consciência, e requer um clima de afectividade; a instrução limita-se aos conhecimentos, é obra da inteligência”, aponta.



O Bispo de Vila Real lembra que se levantam “problemas éticos na aplicação às situações novas” e admite que “nem todos os pais poderão desempenhar a tarefa educativa no encontro da ciência com a consciência”,


“Por isso, aos pais pertence o direito fundamental de escolher as escolas que ministrem a instrução científica aos seus filhos e aí prolonguem o trabalho de educação fundamental que receberam em família, mormente os valores religiosos”, assinala.


Para D. Joaquim Gonçalves, “também a Igreja e outras confissões religiosas têm o direito e dever de educar as crianças e os jovens que os pais lhes confiaram e, consequentemente, o direito de possuir escolas para desempenhar a sua missão”.


“Finalmente, ao Estado cabe a tarefa de proporcionar aos cidadãos a instrução científica e técnica necessárias para o exercício da cidadania. E ao Estado cabe educar? Sim, naquelas áreas que pertencem ao exercício da cidadania, mas não ditar valores religiosos ou morais que deles derivem”, acrescenta.

Fonte: Agencia Ecclesia

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)