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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ministra da Educação considera protocolo com Nersant uma resposta aos desafios das escolas

A ministra da Educação considerou que o protocolo assinado com a Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), para implementação de projectos de incentivo ao empreendedorismo nos Ensinos Básico e Secundário, responde a alguns dos actuais desafios das escolas. Maria de Lurdes Rodrigues classificou de «muito importante» a implementação dos projectos EmpCriança, para o Ensino Básico, e EmpreEscola, para o Ensino Secundário, que serão inicialmente aplicados em 15 escolas de quinze concelhos do distrito de Santarém.

O projecto EmpCriança vai ser desenvolvido, no próximo ano lectivo, em 15 turmas do quarto ano de escolas do primeiro ciclo de 15 concelhos do distrito de Santarém, inserido nas Actividades de Enriquecimento Curricular, com materiais que estão a ser preparados pela Escola Superior de Educação de Santarém.

Já o EmpreEscola, também a desenvolver enquanto projecto-piloto no próximo ano lectivo, vai permitir que equipas de alunos do Ensino Secundário criem uma empresa que irá funcionar junto da comunidade, sem, contudo, poder concorrer com quem está no mercado.

Depois de um ano a funcionar como projecto-piloto, a Nersant pretende generalizar este projecto, numa primeira fase ao distrito, sendo objectivo alargar a sua aplicação a nível nacional.

A ministra da Educação assegura que estas iniciativas «podem ser uma resposta» a «dois grandes desafios» para «o cumprimento pleno da missão» das escolas - autonomia e qualidade das aprendizagens e diversificação das estratégias de ensino -, para «proporcionar ao maior número de alunos possível, o maior número de anos de escolaridade»

«Em primeiro lugar é o desafio da autonomia e da abertura ao exterior. Hoje, a sociedade portuguesa coloca às escolas desafios, tensões, questões associadas à autonomia, à maior responsabilização e à abertura ao exterior que não eram colocadas no passado. O nosso ponto de partida da nossa escola é de fechamento», afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, reconhecendo «uma enorme dificuldade em concretizar essa autonomia».

Segundo a ministra da Educação, o protocolo assinado reforça a autonomia das escolas, que deve concretizar-se «ao nível das práticas de ensino, mas também ao nível dos seus conteúdos, na forma como a escola se relaciona com outros parceiros, como empresas, autarquias, instituições de proximidade, com os pais e os próprios alunos».
Fonte: Sol

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)