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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Cavaco Silva recebe PGR para discutir a violência escolar

O Presidente da República recebe hoje o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, numa audiência que terá como tema a violência escolar. Já ontem, soube-se que o Ministério Público deduziu três acusações e reabriu uma investigação em quatro casos em escolas da Grande Lisboa.
O encontro foi marcado no regresso de Cavaco Silva da sua viagem a Moçambique, quando o chefe de Estado português teve conhecimento do video de uma aluna da Escola Carolina Michaelis, do Porto, a agredir uma professora para recuperar o telemóvel.

Cavaco Silva afirmou-se chocado com a situação e agendou uma reunião com Pinto Monteiro. O encontro de trabalho entre o Presidente da República e o procurador-geral da República deveria ter acontecido na segunda-feira, mas foi adiada para esta quinta-feira devido a uma gripe que afectou Cavaco Silva.

Já ontem, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) anunciava que o Ministério Público deduziu três acusações e reabriu uma investigação em quatro casos de violência registados em escolas da Grande Lisboa.

Os casos, que foram objecto de participação criminal, ocorreram entre Setembro e Novembro de 2007, em escolas de Almada, Montijo e Lisboa, tratando-se maioritariamente de agressões a professores por parte de encarregados de educação.

A PGDL indicou que este foi o resultado do trabalho que tem vindo a desenvolver em articulação com a equipa de missão para a segurança escolar.

O Ministério Público informou ainda, através de um comunicado, que decidiu abrir uma investigação sobre o caso da secundária Carolina Michaelis, no Porto.
Fonte: Rtp.pt

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)