Seis pais da Escola Básica de Lagos, em Vila Nova de Gaia, apresentaram queixa no Ministério Público contra dois professores e uma auxiliar de acção educativa. Em causa estão os alegados maus tratos que os três terão inflingido às crianças da unidade de multideficiências durante o ano lectivo passado. A queixa foi formalizada no início de Março, depois de uma funcionária, "revoltada", ter confirmado o comportamento de que a maioria dos pais já suspeitava.
"Os professores enchiam a boca das crianças de papel para que não fizessem barulho, batiam-lhes na cabeça quando adormeciam e nas mãos quando colocavam as mãos na boca. E faziam outras coisas que não tenho coragem de repetir", afirma Ernestina Silva, mãe de Inês, uma das seis crianças que "chorava ao chegar à escola" e que "apareceu em casa com nódoas negras".
"Os nossos filhos chegavam com hematomas e nunca ninguém tinha visto nada, nunca ninguém sabia onde tinha sido", torna Ernestina. "Mas como demos conhecimento do problema à coordenadora da escola e à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), achámos que o iriam resolver". Não resolveram. Os encarregados de educação não colocaram imediatamente a hipótese de violência. "No início do ano, constatámos que a professora não tinha qualificações para o ensino especial. Manifestámos desagrado e a escola colocou outra docente a ajudá-la. Como as duas não se entendiam ainda pensámos que o medo das crianças advinha daquele mau ambiente criado por elas".
Começaram a desfazer-se as dúvidas "quando um menino - e já era o segundo caso - saiu da aula de psicomotricidade todo magoado", conta a progenitora. "Nessa altura, uma funcionária confirmou que o professor era muito violento com as crianças".
As crianças choravam, rejeitavam a escola, mas não tinham capacidade para denunciar a situação. "A minha filha tem nove anos e uma epilepsia grave. Sabe chamar a mãe, o pai e o mano. Só. É incapaz de dizer se a professora A ou B lhe bate", afirma Ernestina Silva, que soube, já tarde - a coordenadora da escola terá proibido os funcionários de tornar o assunto público, alegando dever de sigilo profissional -, que a filha havia sido "empurrada por uma empregada até bater com a cabeça numa mesa".
As três pessoas em causa - dois professores e uma auxiliar - já foram transferidos de escola. Mas isso não basta para sossegar os queixosos. Será fácil explicar porquê. "A professora, por exemplo, já voltou a fazer asneiras na nova escola onde foi colocada. A única coisa que exigimos é que pessoas que não sabem lidar com crianças com problemas, sejam proibidas de o fazer", diz.
A escola de Lagos - atesta um anúncio colocado na montra - está à procura de "um colaborador para trabalhar com as crianças da unidade de multideficiência". Condições exigidas? Receber o subsídio de desemprego e residir perto dali.
Fonte: JN
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Pais denunciam professores que maltratam crianças deficientes
Etiquetas: Violência escolar
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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