TEK.SAPO Novos portáteis no programa e-escolas PÚBLICO CD-Roms para ajudar estudantes a lidar com o stress LUSA Alunos de secundária de Gaia acusam GNR de ameaças e agressão, o que corporação desmente RTP Professora intimidada por aluno em escola secundária da Maia CORREIO DA MANHÃ Aluna constituída arguida aos 9 anos

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Educação e Novas Tecnologias

Como pensar a relação entre a Educação e as Novas Tecnologias? Tal como em muitas discussões gerais sobre o papel da tecnologia, também na educação se encontram discursos, ou práticas, que as tratam seja como fonte de todos os males, seja como panaceia universal.




Em termos geracionais, na classe profissional dos professores e outros actores educativos, verificam-se muitas vezes atitudes de resistência à sua utilização entre os mais velhos. A sua fundamentação assenta na crença de que não há mais-valias nestes novos instrumentos, seja como reflexo de uma racionalização de dificuldades na sua utilização, seja porque a sua utilização obrigaria a reformular conteúdos, estratégias e materiais didácticos há muito utilizados, seja pela falta de recursos que ainda prevalece nas escolas. Mas note-se que, tal como a utilização das novas tecnologias não faz bons professores, também a sua não utilização não faz deles maus professores. As novas tecnologias não são a pedra filosofal para o sucesso educativo.



Ao nível das gerações mais novas, em especial por parte dos alunos, a atitude é diferente, fruto do modo como essas novas tecnologias há muito fazem parte natural do seu ambiente, seja social, seja lúdico, seja mesmo de formação. As formações superiores de há vinte anos são já diferentes das que se fizeram há dez e ainda mais das que se fazem actualmente. Os professores actuais mais novos, como em geral os outros profissionais, foram formados cada vez mais imersos nas novas tecnologias de informação e comunicação. E já aprenderam que os alunos podem ser co-participantes na produção do saber. Entre esta geração é mais frequente o entusiasmo, por vezes incondicional, pelas virtudes das novas tecnologias. Mas, também aqui, há que ressalvar que nem todas novas práticas de (auto-) aprendizagem a partir das novas tecnologias são, só por si, boas. Há "velhas" competências que fazem muita falta e que a facilidade de acesso à informação (Internet) não substitui, como a capacidade de interpretar, e reflectir sobre, a informação.



Mas falar de Novas Tecnologias, tal como de Educação, pode ser falar de muitas coisas. Os vários tipos de novas tecnologias vão incidir em dimensões educacionais variadas, de que não são as menores a formação das atitudes e dos valores (pense-se na cultura do "copiar e colar" ou da maior facilidade da fraude mas também na aprendizagem da netiqueta). Falar de novas tecnologias é falar do computador pessoal, cada vez mais portátil, dos telemóveis que são muito mais do que isso (câmaras de filmar e fotografar, agendas pessoais, etc. e principal fonte de dores de cabeça dos professores do ensino secundário), dos videojogos, pólo de eterna discussão sobre as suas virtudes educativas ou de como ligar a aprendizagem ao lúdico, das aplicações informáticas utilizadas com fins educativos, das plataformas de gestão da aprendizagem (como a Moodle, cada vez mais disseminada nos vários níveis de ensino), que permitem o alargamento do espaço e tempo de aprendizagem para além da tradicional sala de aula e, em especial, da Internet. Esta polariza os vários discursos, pessimistas ou optimistas, sobre as novas tecnologias. E se é verdade que os perigos da sua utilização menos cuidada são grandes, também o são as suas virtudes.



Um dos fenómenos interessantes advenientes da utilização da internet, a partir de tecnologias que o suportam e incentivam (Web 2.0), é a formação de comunidades virtuais, em especial de tipo colaborativo. E aqui estão em causa comunidades online associadas aos sites de redes sociais, cujos objectivos são o estabelecimento e manutenção de relações sociais de vários tipos (Facebook, Hi5, MySpace), mas também comunidades colaborativas como as responsáveis pela criação de um sistema operativo Open Source como o Linux ou uma enciclopédia online, a Wikipedia, que rivaliza com as concorrentes pagas. D. Tapscott e A. Williams anunciam mesmo uma revolução em termos económicos com base neste fenómeno de colaboração em massa online[1]. Sem vantagens pessoais evidentes, os participantes contribuem, partilham, (entre) ajudam-se, fazendo o grupo ir mais longe do que o indivíduo. Contra os discursos pessimistas, aqui está um exemplo de que as novas tecnologias também são capazes de trazer ao de cima o que há de melhor no homem.



Em Portugal, desde os tempos dos projectos Minerva e Nónio, nunca as T.I.C. estiveram tanto na ordem do dia e na agenda educativa como hoje, a que se juntam as agendas política e mediática, em que se encontram palavras-chave como "Plano Tecnológico" ou "Programa E-escolas". Para além dos inevitáveis efeitos demagógicos e retóricos, há que reconhecer o dinamismo na utilização das T.I.C. que percorre os vários níveis de ensino. Entre estes, gostaríamos de salientar o que se passa ao nível da Educação de Infância e do Ensino Básico. Basta o acesso ao sítio do CRIE associado (http://moodle.crie.min-edu.pt/course/view.php?id=221), ou à rede de blogues que se formou, para reconhecer a força deste trabalho entre pares, baseado na partilha de ideias e recursos, dos vários intervenientes. Deste modo, a construção conjunta da fluência tecnológica preconizada por Papert[2] está, a pouco e pouco, a tornar-se uma realidade. A utilização das T.I.C. começa cedo e começa na escola. E mobiliza as famílias, nalguns casos desempenhando os filhos o papel de professor para os pais, e aproximando pais e professores na tarefa necessariamente conjunta da educação. O que, diga-se em abono da verdade, já não é pouco.

Fonte: Setubal na rede

Para subscrever o Noticiasdescola

Pesquisa personalizada

Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)