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sábado, 12 de abril de 2008

Escolas devem educar para a convivência para prevenir conflitos, diz especialista em mediação escolar

As escolas devem adoptar planos de educação para a convivência para prevenir conflitos nas escolas, para passar de um "modelo punitivo" para um "modelo relacional", defende uma especialista em mediação escolar.

Ana Paula Grancho, mestre em Administração e Planificação da Educação, advogou a implementação de planos para a convivência em ambiente escolar, através da comunicação, educação para a paz, formação cívica e resolução de conflitos (mediação).

A especialista apresentou um plano de educação para a convivência durante um seminário organizado pela secção de Santarém da Associação Nacional de Professores (ANP) sobre "Mediação de conflitos em contexto escolar", realçando a importância de investir na prevenção de conflitos.

"Um plano para a convivência pode ser implementado como qualquer projecto, requer boa vontade, desde logo, alguns recursos, que os professores, alunos, funcionários e pais estejam formados à mediação", disse à Agência Lusa Ana Paula Grancho, preconizando a medida que "facilita a comunicação e permite chegar à solução mais justa".

Na sua perspectiva, "a mediação é uma forma de estar na escola, que vai mudar o modelo punitivo, para um modelo mais relacional" e que pode ser concebida "em dueto, com um pai e um professor, para que cada uma das partes se sintam representadas".

Sem antever uma "solução final", Ana Paula Grancho, considera que este plano visa "melhorar o clima de convivência nas escolas", através da "mediação preventiva", que será, simultaneamente, formação "cívica e democrática".

"A punição é importante, mas não será suficiente", sustentou Ana Paula Grancho, advertindo: "Se fosse suficiente, não tínhamos os problemas que temos hoje, não funciona por si só".

A especialista reconhece a impossibilidade de proceder à mediação na maioria dos casos recentemente noticiados, porque para a mediação de conflitos é "requisito obrigatório" a voluntariedade de todos os intervenientes.

"Há situações onde a mediação formal não se pode aplicar porque alguém que tenha sido alvo de uma violência enorme não tem concerteza vontade de se sentar e conversar com o agressor", sublinhou.

De acordo com Ana Paula Grancho, "o conflito é parte natural das relações, não tem de finalizar em violência" e pode "promover o crescimento dos professores e dos alunos".

Na sua perspectiva, "é preciso mostrar que há limites e há outras respostas que não a violência", porque, "o que está errado não é o conflito, mas sim a violência".

"As crianças passam muito tempo sozinhas e elas próprias constroem os próprios limites", reconheceu Ana Paula Grancho, admitindo que "os exemplos disponíveis nas televisões também não ajudam muito".

Apesar de defensora da mediação escolar, a docente admite ter "algumas reservas" quanto à "inserção de mediadores de conflitos externos em contexto escolar", devido à "complexidade das escolas" e à "diversidade" social de alunos, professores, pais e pessoal não docente.

Fonte: Lusa

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)