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sábado, 12 de abril de 2008

Sócrates congratula-se por "consenso muito alargado" sobre avaliação dos professores

O primeiro-ministro, José Sócrates, congratulou-se hoje pelo acordo entre Governo e sindicatos sobre a avaliação dos professores, declarando que existe agora "um consenso muito alargado na sociedade portuguesa" em relação a esta matéria.

"Este acordo deixa-me muito satisfeito e quero felicitar publicamente a senhora a ministra da Educação porque valeu a pena perseverar e hoje temos um consenso muito alargado na sociedade portuguesa quanto à importância da avaliação dos professores", declarou José Sócrates.

"Fico muito satisfeito por todos os parceiros sociais terem reconhecido a importância deste instrumento", acrescentou o primeiro-ministro, que falava aos jornalistas à entrada para um debate sobre o novo tratado da União Europeia (UE), no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Questionado se o Governo abdicou ou não dos termos que defendia para a avaliação dos professores, José Sócrates evitou responder, considerando que o principal "é que neste acordo está consagrada a avaliação de professores" e que esta avançará com "um melhor clima".

"A oposição gostaria que não tivesse havido acordo", alegou, referindo que "a oposição há um mês atrás o que queria era que se suspendesse a avaliação e que a ministra saísse do Governo".

"Nem uma coisa nem outra: a ministra está no Governo a conduzir de forma inteligente, capaz, determinada a política de educação e por outro lado a avaliação dos professores avança", salientou o primeiro-ministro.

Segundo José Sócrates, "quanto à avaliação de professores contratados, cerca de sete mil, que têm de ser avaliados ainda este ano, o que ficou assente são os princípios dessa avaliação que, como o Ministério da Educação já tinha proposto, tratar-se-á de uma avaliação simplificada, reconhecendo que essa avaliação vai decorrer apenas no último período".

"Isso é uma boa razão para que quanto a esses sete mil professores tenhamos acordado que deveria ser agora mais flexível e mais simplificada", defendeu.

Para o primeiro-ministro, "o mais importante" é que "o acordo refere que no próximo ano serão avaliados todos os professores, de acordo com as normas que constam do decreto regulamentar".

"Disse muitas vezes que não seria mais um primeiro-ministro que passaria por este lugar sem fazer a avaliação dos professores, que nos últimos 30 anos prosseguiam na carreira sem nenhum tipo de avaliação ou quase nenhum tipo de avaliação, a progressão era quase automática ou automática, se quisermos", assinalou.

José Sócrates afirmou ainda que na sexta-feira "o Presidente da República promulgou o diploma da gestão escolar" e sustentou que esse diploma e a avaliação dos professores "são reformas muito importantes para a política educativa do Governo e que marcam um antes e um depois em matéria educativa".
Fonte: Lusa

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)