Milhares de estudantes colegiais e professores organizaram manifestações nesta quinta-feira em Paris para protestar contra a suspensão de postos de trabalho na educação no ano letivo de 2008.
"Estamos aqui para mostrar que, nós, estudantes, são muitos e pretendemos defender nosso futuro. Somos contra o corte dos postos de trabalho", explicou um dos dirigentes.
O setor da educação pública é o mais afetado pela redução de verba na administração francesa, decisão do governo de Nicolas Sarkozy.
Dos 22.900 postos de trabalhos anunciados que serão cortados, 11.200 correspondem ao setor.
Desde o início do movimento estudantil há três semanas, o ministro da Educação, Xavier Darcos, assegurou que "não andaram pra trás" a respeito desse assunto.
Alega também que os cortes são necessários devido ao retrocesso demográfico constatado e que serão compensadas em parte com horas extras de trabalho.
De acordo com o sindicato União Nacional de Escolas isto significa menos horas de estudo, cursos e a redução de aulas extras de idiomas.
"O governo optou por economizar custe o que custar, em detrimento do serviço público da educação", acusou um dos dirigentes.
Na última terça-feira, aproximadamente 25 mil estudantes, segundo os organizadores, se manifestaram em Paris e outros milhares mais em outras regiões.
Alguns incidentes entre alunos e a polícia deixaram quatro feridos e 25 detidos em Paris.
Nesta quinta-feira, ocorreu um incidente em uma escola na capital francesa, quando a polícia desalojou "violentamente" estudantes que tentavam bloquear e ocupar o local, segundo informaram professores.
Fonte: Afp
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Estudantes e professores protestam em Paris contra cortes na educação
Etiquetas: É destaque lá por fora
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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