A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) vai reunir no próximo dia 18 de Abril com o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, com o objectivo de apresentar dois casos de alegados maus-tratos a crianças por parte de professores, para que situações semelhantes “desaparecerem rapidamente das nossas escolas”, noticiou a TSF.
O primeiro caso ocorreu na escola básica de Lagos, concelho de Vila Nova de Gaia, onde um professor terá colocado papel na boca de seis crianças com necessidades educativas especiais. O incidente foi denunciado por uma auxiliar de acção educativa e os encarregados de educação apresentaram, em Março, uma queixa-crime contra o docente, que já foi afastado do cargo, apesar de ainda não haver uma decisão judicial.
Joaquim Magalhães, pais de uma das crianças, considerou a situação “ridícula”, em especial por aqueles alunos terem epilepsias graves.
O segundo caso, avançado ontem pelo PÚBLICO, diz respeito à queixa-crime apresentada pelos pais de três crianças da escola básica do Salgueiral, em Guimarães, onde uma professora alegadamente usou fita-cola para calar os alunos.
O presidente da CONFAP, Albino Almeida, mostrou-se indignado com ambos os casos e sublinhou que “há brincadeiras que nem sequer se devem pensar, quanto mais fazer”, visto que nem todas as crianças as vão entender como tal. “Os professores devem assumir as consequências dos seus comportamentos”, defendeu o responsável.
Apesar de considerar que os casos “felizmente são poucos”, Albino Almeida considerou urgente denunciá-los a Pinto Monteiro, para que “desapareçam rapidamente” do meio escolar.
Fonte: Público
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Pais denunciam maus-tratos a crianças em audiência com Pinto Monteiro
Etiquetas: Violência escolar
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Artigo de opinião
O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicasHoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.
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