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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Fórum TSF sobre avaliação dos professores: Ministra da Educação - “A política educativa tem sido de defesa da escola pública”

Maria de Lurdes Rodrigues interveio no fórum sobre a avaliação dos professores, organizado pela rádio TSF, em 19 de Fevereiro, e coordenado pelo jornalista Manuel Acácio.

Senhora ministra, estava à espera de tanta contestação, dos partidos da oposição e sindicatos dos professores, a este processo de avaliação?

A avaliação dos professores já se discute desde que, há mais de um ano, foi promovida a alteração ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), em cujo âmbito se prevê uma alteração do sistema de avaliação de professores.

A avaliação é muito importante para distinguir o mérito.

Essa é talvez a sua principal função – poder distinguir os melhores professores, que são dedicados aos alunos e às escolas, que obtêm bons resultados com os alunos.

As escolas não dispõem de instrumentos que lhes permitam distinguir e premiar os melhores professores.

Este é o principal objectivo da avaliação, a qual, aliás, existe em todas as organizações.

O anterior sistema não permitia distinguir ninguém.

Os professores progrediam sem nenhuma distinção entre os bons e os que tinham prestações regulares ou normais


Faz sentido avançar com um processo a meio do ano lectivo?

O problema não é avançar a meio do ano lectivo, mas sim haver muito trabalho a fazer, uma vez que é necessário montar o sistema de raiz.

Era muito importante que as escolas começassem a trabalhar – e começaram!

Gostava, aliás, de dar aqui o meu testemunho.

Tive ontem [segunda-feira, dia 18] uma reunião com o Conselho de Escolas e presidentes de Conselhos Executivos de escolas de todo o País, onde foi evidente a determinação de avançar com o processo de avaliação.

Os professores e as escolas querem ter um sistema que lhes permita distinguir os melhores e começaram a trabalhar nesse sentido a partir do momento em que o diploma entrou em vigor.

Há muito trabalho a fazer para criar o sistema de avaliação.

O que combinei na reunião foi que o Ministério da Educação dará às escolas todas as condições que identifiquem como necessárias para concretizar bem este processo, de forma tranquila, normal.

Deixe-me salientar que existe avaliação em todos os sistemas, em todas as organizações.

Não há razão para não termos um bom sistema de avaliação dos professores nas nossas escolas.
Fonte: Portal da Educação

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)