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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Bispos lamentam «quebra de confiança» na educação

A 168ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) encerrou-se esta Quinta-feira em Fátima com um apelo dos Bispos para alunos e professores do nosso país, lamentando a “quebra de confiança” que se verifica entre Governo e professores.

Em conferência de imprensa, D. Carlos Azevedo, Secretário da CEP, frisou que “o grande problema da educação é o Estado”, destacando que “a razão de ser das escolas são os alunos, aqueles de quem nós estamos ao lado, porque os professores são por causa dos alunos e aos pais pedimos um papel de mais acompanhamento dos filhos”.


A posição dos Bispos, refere o secretário da CEP, fica claramente demarcada no comunicado final, com críticas implícitas “a uma confiança que foi quebrada entre professores e governo”, esperando que a mesma seja recuperada “o mais rapidamente possível”.


No documento, os Bispos dirigem-se directamente aos professores, com “uma palavra de estímulo e de confiança”.


“A educação escolar, antropologicamente fundamentada e apostada no desenvolvimento integral da pessoa humana de todos e cada um dos alunos é uma exigência absoluta para o futuro da sociedade portuguesa”, pode ler-se no documento.


A CEP destaca “o que já se faz bem feito e com bons resultados, tanto em escolas estatais como em escolas particulares”, indicando que a vocações dos professores “deve ser reconhecida e incentivada por toda a sociedade”.


“Só num clima de confiança e de exigência mútuas e de esperança é possível melhorar a educação”, aponta o comunicado.
Fonte: Agencia Ecclesia

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)