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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Brasil: Elevação do PIB poderá mudar educação

O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com 40 programas em andamento, e a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) a ser aplicado na educação, de 3,9% para 6%, são as principais estratégias do Ministério da Educação para promover uma revolução na qualidade na educação pública.

Esse caminho foi apresentado nesta quarta-feira, 30, pelo ministro Fernando Haddad, ao receber da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o relatório de monitoramento da Educação para Todos 2008.

Para Haddad, o PDE, que conta hoje com a adesão dos 27 governadores e de 5.400 prefeitos, traz um conjunto de 40 programas que procuram atacar cada uma das debilidades dos sistemas de ensino, desde a educação infantil até a pós-graduação. “Com metas claras e rumos definidos, caminhamos para transformar a educação em política de Estado, que não muda de governo para governo”, explicou.

Sobre os prazos para atingir as metas, o ministro disse que o Brasil trabalha com pelo menos três datas: O Plano Nacional da Educação (PNE) tem metas a serem cumpridas até 2011; a Unesco fixou metas para 2015; e o PDE, para o bicentenário da independência do Brasil, 2022.

“Vamos cumprir boa parte das metas do PNE, as metas da Unesco estamos muito próximos de cumprir”, disse. Na opinião do ministro, “o mais difícil, que vai exigir mais esforço do país, intensa mobilização, sensibilização da sociedade, responsabilidade dos gestores públicos, são as metas de 2022”.

Para Haddad, as metas do PDE são muito ousadas, mas o país tem tempo e um plano consagrado pelos representantes da sociedade e, portanto, tem compromisso. Além do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), outra fonte de recursos que vai promover o alcance das metas do PDE será a elevação do PIB da educação.

“Eu defendo desde sempre que o patamar mínimo de investimento na educação seja de 6% do PIB”. Na avaliação do ministro, se o Brasil não avançar para esse patamar dificilmente vai cumprir os objetivos de 2022. Em 2007, o PIB da educação alcançou 3,9%.

Se aprovado o Plano Plurianual da educação (PPA 2008-2011), que tramita no Congresso Nacional, Haddad prevê agregar entre 0,7% e 0,8% do PIB, o que dará cerca de R$ 19 bilhões para o Ministério da Educação. “Esse recurso é só com esforço federal, fora os esforços de estados e municípios”.

Segundo Haddad, o fim da Desvinculação dos Recursos da União (DRU) da educação, aprovada na semana passada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, se aprovada também no plenário, vai representar um aporte adicional de R$ 7,5 bilhões anuais.

O ministro disse que o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, se comprometeu a colocá-lo em votação no plenário assim que o projeto tiver passado pelas comissões. “A mobilização de todos por mais recursos para a educação é um dos meios para cumprir as metas”, explicou.
Fonte: Maracaju News


Principais pontos do PDE

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)