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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Presidente do CNE defende maior envolvência dos pais na escola

Júlio Pedrosa, presidente do Conselho Nacional de Educação, referiu ontem, no Colégio Sete Fontes, que os casos de violência que hoje assistimos nas escolas é já “a ponta final de pequenas violências, de pequenas indisciplinas a que assistimos diariamente sem fazer nada para que elas sejam corrigidas”.
Os actos de violência, de acordo com o responsável, são o resultado do ambiente que se vive no seio das famílias, do que se passa na rua, de contextos sociais e económicos difíceis. “Devemos olhar para aquilo que vemos como actos de violência e interrogarmo-nos todos sobre como vivemos uns com os outros, em casa, no espaço público, na escola”, diz o Júlio Pedrosa, acrescentando que a nossa vivência estimula comportamentos que, nalguns casos, desencadeiam nessa violência e indisciplina.

O presidente do Conselho Nacional de Educação referiu também, durante a sua intervenção, que a escola portuguesa integra crianças muito diferentes, sob vários pontos de vista. “Se as pessoas reflectissem sobre as desigualdades sociais soubessem que há uma parte muito grande dessa sociedade que é muito pobre, que vive com muitas dificuldades e que isso tem reflexos nas crianças que são originárias dessas famílias, talvez compreendessem uma parte desses comportamentos”, sutenta o responsável.

Júlio Pedrosa, que já assumiu a pasta de ministro da Educação, referiu ainda que alguns problemas de violência e indisciplina na escola resultam também do pouco investimento dos pais pa- ra com os seus educandos. “Temos de ter tempo para eles e de ser aliados da escola”, defende o ex-ministro. “Já imaginaram numa escola os professores defenderem que as crianças estejam serenas, sossegadas a ouvi-los e que, em casa, se admita qualquer comportamento e não se lhes diga nada? Qual é o efeito disso para as crianças e o seu desenvolvimento?”, prossegue o responsável.
O presidente do Conselho Nacional de Educação participou no primeiro de três debates que o Colégio Sete Fontes vai levar a cabo até Julho. A
Educação foi o mo-te deste encontro.O próximo, que decorre em Junho, será subordinado ao desporto e o terceiro e último, em Julho, às artes.
Fonte: Correio do Minho


Documento: Envolvimento Parental na Escola e Ajustamento Emocional e Académico

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Artigo de opinião


O MP3 e o telemóvel como ferramentas pedagógicas

Hoje todos os professores têm como formação inicial um curso superior seguido de um estágio pedagógico que pode ser integrado ou não. Todos seguiram na Universidade a via de ensino, em ramos especializados. Resta saber se foram para esta via por vocação ou por falta de alternativas.
Saem classificados com uma média final que resulta das classificações dadas pelos vários professores das disciplinas nos vários anos do curso (nota académica) a que se junta a nota dada pelo professor orientador de estágio. Durante estes anos aprendem também a usar as novas tecnologias para fazer delas ferramentas pedagógicas importantes na sala de aula.
As notas distribuem-se pela escala, como sempre, e é por essas que é feita a colocação. Alguns colocam-se sem dificuldade, outros passam anos à espera de lugar ou vão tendo colocações esporádicas a substituir grávidas e doentes. Milhares ficam sem colocação.
Há professores que colocados ou não continuam a estudar e a interessar-se por melhorar as suas práticas. Alguns são sensíveis ao pulsar do seu tempo, às características da escola de hoje, do aluno de hoje, da comunidade que o envolve hoje.
O professor actual tem de ter esta atitude na sociedade de mudança que nos envolve.
A este propósito posso referir o exemplo da professora Adelina Moura de Braga que foi entrevistada pelo jornalista Jorge Fiel para o DN no dia 7 de Dezembro. Contou que está a fazer uma experiência com 30 alunos do 11º ano, ramo profissionalizante e que já deu uma aula online, a partir de casa, com os alunos espalhados por cafés e outros locais. É o conceito da escola nómada a ser posto em prática. Disse coisas como esta: "o telemóvel e os MP3 são ferramentas de ensino mais usadas que o papel e o lápis" ou " os alunos são nados digitais, nós somos estrangeiros digitais" ou ainda " a aula de português anda na bolso dos meus alunos". Deu os endereços de dois blogues: paepica.blogspot.com e choqueefaisca.blospot.pt. Falou também de O Princepezinho em podcast que pode encontrar-se em discursodirecto.podmatic.com e de exercícios de escolha múltipla e palavras cruzadas para descarregar no telemóvel em geramovel.wirenode.mobi e outros ainda.
Esta professora é uma excepção nesta área e, por enquanto, apenas faz uma experiência com 30 alunos, não sei se este projecto seria exequível pelos professores comuns que têm cinco, seis ou sete vezes mais e muitos outros trabalhos para fazer. Seria bom que ela abrisse as aulas para os outros aprenderem na prática e faço votos que não a desviem para fazer conferências "em seco" que só cansam e cumprem calendário.
Todos os professores têm de compreender que o aluno tem que ser ensinado de acordo com o seu tempo e a sua vivência.

in Expresso (Joviana Benedito Profª. aposentada do Ensino Sec. e autora)